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Óculos inteligentes no set: making-of, ponto de vista e privacidade

A nova geração de óculos com câmera grava em 3K e parece um par de óculos comum. Numa filmagem, isso exige regras claras antes da primeira diária.

3 min de leitura Equipe de conteúdo

Óculos Ray-Ban Meta, com câmera na armação
Óculos Ray-Ban Meta, com câmera na armação Créditos: Stock Adobe Diamond Phoenix

Os óculos com câmera saíram do nicho de tecnologia e já podem estar no rosto de qualquer pessoa da equipe. Na Meta Connect, em setembro de 2026, a Meta lançou a terceira geração dos Ray-Ban Meta, a partir de 449 dólares, com câmera de 12 megapixels e vídeo em 3K, segundo o Engadget. A empresa também anunciou que o modelo com tela, o Meta Ray-Ban Display, chega a mais cinco países em 13 de outubro.

Numa produção audiovisual, o aparelho pode ser útil nos bastidores. Ao mesmo tempo, é um equipamento de gravação difícil de controlar num set, justamente porque parece um par de óculos comum.

Ao mesmo tempo, é um equipamento de gravação difícil de controlar num set, justamente porque parece um par de óculos comum.

Onde os óculos ajudam

O uso mais óbvio é a imagem em primeira pessoa. Com a câmera no rosto, dá para registrar o que o operador, o diretor ou o dublê está vendo, com as mãos livres. Esse material funciona bem em making-of e nas redes sociais. Em documentários e no registro de ensaios, visitas técnicas e montagem de cenário, o equipamento discreto também interfere menos na cena.

Os limites são claros. Sensor pequeno e lente fixa servem para bastidor e rede social, e não para a imagem principal de um filme ou de uma série.

Privacidade

A privacidade é a maior preocupação. Em julho de 2026, a Meta passou a desligar a câmera da segunda geração dos óculos quando o aparelho detecta que a luz indicadora de gravação foi adulterada ou destruída, segundo a Fortune. A mudança veio depois de denúncias de gravações escondidas e de um processo segundo o qual terceirizados que revisavam material para treinar IA teriam visto imagens íntimas captadas pelos óculos.

Na Europa, autoridades de proteção de dados endureceram o discurso. Segundo o PetaPixel, o comissário de proteção de dados de Hamburgo, Thomas Fuchs, chamou os óculos de câmeras disfarçadas. A CNIL, autoridade francesa, alertou para o risco de uma vigilância quase invisível e onipresente.

No Brasil, a imagem de uma pessoa identificável é considerada dado pessoal pela Lei Geral de Proteção de Dados. O Código Civil também exige autorização para o uso da imagem de alguém.

Regras para o set

Nada disso impede o uso profissional, mas pede organização. Produções que já trabalham com acordo de confidencialidade devem incluir os óculos com câmera na mesma política aplicada aos celulares. Em cenas de nudez ou de intimidade, gravadas com set fechado, o equipamento precisa ser proibido de forma expressa.

Se a própria produção quiser usar os óculos, vale definir por escrito quem pode usar, em que momentos, onde o material fica guardado e quem aprova a publicação. Elenco, equipe e figuração precisam saber que estão sendo filmados, e a autorização de imagem deve cobrir também esse registro de bastidor.

Os óculos com câmera são mais um dispositivo de gravação num ambiente em que a imagem tem valor comercial. Definir as regras antes da primeira diária evita discutir o problema quando o arquivo já estiver circulando.

Fontes consultadas

  • Engadget: Everything announced at Meta Connect 2026
  • Fortune: Meta tightens Ray-Ban smart glasses privacy while it tests super-sensing AI prototype
  • PetaPixel: Meta Smart Glasses Face Calls for Bans Across Europe Over Privacy Concerns
  • Planalto: Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.