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StEM3: o teste gratuito da ASC para checar o painel de LED

A ASC e a ASWF liberaram o StEM3, pacote gratuito para testar um volume de LED antes da diária. O que ele checa, o que não garante e como usar.

4 min de leitura Equipe de conteúdo

Equipe num volume de LED com padrão de teste nas paredes
Equipe num volume de LED com padrão de teste nas paredes Créditos: Reprodução/ASC Diamond Phoenix

Em 19 de julho de 2026, a American Society of Cinematographers (ASC) e a Academy Software Foundation (ASWF) anunciaram em Los Angeles, durante o ASWF Open Source Days, a liberação pública do StEM3-VP, sigla de Standard Evaluation Material 3 for Virtual Production. É um pacote gratuito para avaliar um volume de LED antes de filmar nele, criado pelo Motion Imaging Technology Council (MITC) da ASC e hospedado na Digital Production Example Library (DPEL).

O problema é conhecido de quem já trabalhou em estágio de produção virtual. Segundo a ProVideo Coalition, Michael Goi, ASC, ISC, copresidente do MITC, disse que muitos diretores de fotografia já pegaram estágios mal calibrados, com cor fora do lugar e faixa dinâmica duvidosa. A meta, de acordo com o comunicado, é padronizar como a tela deve parecer, e Goi trata o StEM3 como ponto de partida, não de chegada.

A meta, de acordo com o comunicado, é padronizar como a tela deve parecer, e Goi trata o StEM3 como ponto de partida, não de chegada.

Do casamento italiano ao volume de LED

O StEM original é de 2004. Feito pela ASC com a Digital Cinema Initiatives (DCI), consórcio de estúdios, ajudou a fixar parâmetros do cinema digital; segundo o Hollywood Reporter, era um curta de 12 minutos com um casamento italiano sob diferentes condições de luz. O StEM2, anunciado em 16 de dezembro de 2021, trouxe The Mission, curta de 16 minutos escrito e dirigido por Jay Holben, filmado em três locais de Los Angeles, um deles o estágio com parede de LED da ARRI, em Burbank. Os dois primeiros mediam exibição e pós-produção; o StEM3 muda o alvo: a parede de LED na hora da filmagem.

O que vem no pacote

A página do DPEL lista seis ambientes em Unreal Engine: Cybercity, cidade cyberpunk noturna da Craftology; Forest, floresta queimada com relâmpagos; Base Camp, acampamento no Himalaia, da NantStudios; Subway Station e Back Alley, da MELS; e Saloon, da Epic Games. Os seis arquivos somam cerca de 82 GiB, em versões do Unreal que vão de 5.1 a 5.4.

No 2D, há um plate de relâmpagos que, segundo o DPEL, serve para checar a sincronia dos blocos de vídeo, e uma carta de exposição de 25 stops, em EXR, para avaliar faixa dinâmica. A peça central é Warped: CyberCity, curta dirigido por Holben com fotografia de David Klein, ASC, rodado em um volume real. Há versão SDR (1920x1080, 5,4 GiB) e HDR (3840x2160, 38 GiB).

Como testar, e o que o teste não garante

O fxguide, em 23 de julho, trata o teste como perguntas, não como roteiro. A cor é consistente entre painéis? Emendas, moiré e artefatos de varredura aparecem pela lente escolhida? Há sincronia, e o rastreamento segura no movimento? O método é carregar o material, olhar pela câmera de produção e entender o que o estágio faz antes de decidir algo criativo.

Os limites estão nas fontes. O fxguide diz que o pacote reduz incógnitas, mas não responde tudo e define uma base neutra, não um visual criativo. Nenhuma fonte consultada traz medidas, critérios de aprovação ou requisitos de hardware, e a ProVideo Coalition não afirma que haja certificação.

Segundo ASC e ASWF, o pacote sai sob a ASWF Digital Assets License v1.1. No DPEL, porém, cada ativo remete a uma licença própria, e o texto completo não aparece na página. Quem for usar uma cena num projeto de cliente deve ler cada licença antes.

Para quem vai alugar um volume

Para a produtora brasileira, o uso mais direto é fazer do StEM3 uma etapa do aluguel: antes de fechar a diária, pedir uma rodada com uma ou duas cenas, com a câmera, a lente e o obturador do projeto, e guardar o resultado em clipe de referência. Pergunte qual versão do Unreal o estágio roda e peça que o fornecedor baixe os arquivos antes, pois somam dezenas de GiB. Com dois fornecedores, a mesma cena nos dois dá uma comparação que o folheto não dá.

Nenhuma fonte cita estágio brasileiro que tenha rodado o pacote. Resta perguntar: o fornecedor já rodou o StEM3, com qual câmera, e o que ficou registrado? O teste não substitui a ficha técnica nem o orçamento. Serve para decidir se o preço da diária, que detalhamos na matéria sobre o custo do painel de LED, entrega a imagem de que o projeto precisa.

Fontes consultadas

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.