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Da imagem perfeita à imagem com identidade no cinema contemporâneo

VistaVision, 65 mm e película voltaram a filmes de grande alcance, e a Kodak vende mais. O Agente Secreto mostra que o digital também constrói identidade.

2 min de leitura Equipe de conteúdo

Câmera de cinema de formato grande em locação
Câmera de cinema de formato grande em locação Créditos: Stock Adobe Diamond Phoenix

Por muito tempo, a evolução da imagem no cinema pareceu andar numa direção só, com mais resolução, mais nitidez e menos ruído. As últimas temporadas de prêmios mostram outro movimento. Lol Crawley ganhou o Oscar de fotografia de 2025 por O Brutalista, rodado em VistaVision, formato que a Paramount lançou nos anos 1950. Uma Batalha Após a Outra e Bugonia usaram o mesmo sistema em 2025.

Chamar isso de volta do analógico seria simplificar demais. Os casos mostram diretores e diretores de fotografia tratando formato, lente e textura como parte da identidade de cada filme. E isso acontece também no digital.

Segundo levantamento da Filmmakers Academy, Pecadores, de Ryan Coogler, usou película de grande formato, com 65 mm para IMAX.

A película como escolha

A lista de filmes de 2025 rodados em película é longa. Segundo levantamento da Filmmakers Academy, Pecadores, de Ryan Coogler, usou película de grande formato, com 65 mm para IMAX. Valor Sentimental, Amores Materialistas e O Esquema Fenício foram filmados em 35 mm.

O interesse aparece também nos números de quem fabrica o material. No segundo trimestre de 2026, a divisão da Kodak que inclui a película cresceu 40% e faturou 105 milhões de dólares. A imprensa especializada ligou o resultado a produções como Uma Batalha Após a Outra e Pecadores.

O que esses filmes buscam é uma resposta específica de cor, de pele e de luz. Nos formatos grandes, entra também uma relação diferente entre o quadro e o espaço filmado.

O digital também tem assinatura

No Brasil, o exemplo mais visível da temporada seguiu outro caminho. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi filmado por Evgenia Alexandrova com a câmera digital Alexa 35 e lentes das séries B e E da Panavision, segundo a própria Panavision. Em entrevista à ABCine, a diretora de fotografia contou que o diretor não queria imagens sombrias e melancólicas para o filme, ambientado nos anos 1970, e sim um Brasil vibrante e colorido.

O caso ajuda a separar suporte e linguagem. A escolha das lentes, a paleta definida na pré-produção, o jeito de mover a câmera e a correção de cor feita com intenção também dão personalidade à imagem.

Uma tendência possível

Nada disso quer dizer que festivais rejeitem imagem tecnicamente impecável ou que a película vá tomar o lugar do digital. A maior parte da produção mundial continua digital por causa de custo, prazo e logística. A própria Kodak ainda tem limite de capacidade na etapa de acabamento do material, de acordo com a Fstoppers. O que dá para afirmar é que o formato voltou a ser defendido como decisão de linguagem.

Para uma produtora independente, o aprendizado é de método. A identidade visual começa na pré-produção, com testes de câmera, lente e cor pensados a partir do roteiro. Deixar essa decisão para a finalização limita muito as opções.

Fontes consultadas

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.