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Paramount e Warner Bros. Discovery na reta final da fusão

O acordo com doze estados fixou metas de filmes para cinema e de produção local, mas ainda depende de uma juíza federal. O que já é fato e o que é projeção.

4 min de leitura Equipe de conteúdo

Caixas d'água da Paramount e da Warner Bros.
Caixas d'água da Paramount e da Warner Bros. Créditos: Stock Adobe Diamond Phoenix

A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount entrou na reta final, mas ainda não terminou. Em 21 de setembro de 2026, a empresa fechou um acordo com a procuradoria-geral da Califórnia e de outros onze estados americanos para encerrar a ação antitruste contra a operação. O texto ainda precisa ser aprovado pela Justiça.

Na audiência de 24 de setembro, a juíza federal Araceli Martínez-Olguín não aprovou o acordo de imediato. Segundo a Variety, ela disse que o tribunal não é um carimbo, questionou se o texto foi negociado de forma independente e afirmou que vai decidir no devido tempo. As partes têm até o meio-dia de 28 de setembro, no horário do Pacífico, para responder a uma carta do senador Cory Booker, que pediu uma análise mais ampla do caso.

A empresa se compromete a lançar 30 filmes por ano em cinema nos dois primeiros anos e 32 por ano nos três seguintes.

O que o acordo com os estados exige

Segundo a CBS News, o acordo prevê investimento de 300 milhões de dólares por ano em produção nos Estados Unidos durante cinco anos, o que soma 1,5 bilhão. A empresa se compromete a lançar 30 filmes por ano em cinema nos dois primeiros anos e 32 por ano nos três seguintes. Desses, pelo menos 20 por ano precisam ser lançamentos amplos no início, e 21 depois. Cada filme que faltar custa 30 milhões de dólares, divididos entre fundos sindicais e instituições de caridade.

O acordo também proíbe, por cinco anos, a venda ou o fechamento dos estúdios da Paramount e da Warner na região de Los Angeles. As duas empresas vão manter negociações separadas para a distribuição dos seus canais a cabo, e um conselho independente vai acompanhar o jornalismo da CBS News e da CNN. O sindicato dos roteiristas, o WGA, fechou um acordo à parte. A coalizão Block the Merger, que se opõe à fusão, pediu à juíza que rejeite o texto.

O que já é fato e o que ainda é projeção

O negócio foi anunciado em 27 de fevereiro. A Paramount paga 31 dólares por ação em dinheiro, e a operação avalia a Warner em 110 bilhões de dólares, incluindo dívidas. Segundo a CBS News, as aprovações federais e internacionais já foram obtidas. A data de fechamento é projeção. David Ellison disse às equipes, em comunicado interno, que espera concluir a compra em cerca de duas semanas, e a própria Paramount informou depois que o momento da conclusão ainda não é certo, de acordo com a Variety.

O atraso tem custo. Segundo a Variety, a Paramount passa a pagar cerca de 7 milhões de dólares por dia à Warner a partir de 1º de outubro se a operação não estiver concluída. No mercado, a maior preocupação é com o emprego. No anúncio de fevereiro, a empresa estimou mais de 6 bilhões de dólares em sinergias, vindas de integração de tecnologia, eficiência corporativa, compras, imóveis e operação. A Variety também relatou que funcionários das duas empresas se preparam para demissões em massa depois do fechamento.

O que muda para quem produz fora dos estúdios

Para as produtoras independentes, inclusive as brasileiras, as metas do acordo têm dois lados. O piso de 30 a 32 lançamentos por ano em cinema, somado à janela mínima de 45 dias antes do lançamento digital prometida em fevereiro, mantém a empresa produzindo e comprando filmes para a sala. Por outro lado, a exigência de lançamentos amplos favorece filmes de grande porte, e o investimento obrigatório é em produção nos Estados Unidos.

Dois pontos merecem atenção nos próximos meses. O primeiro é o espaço para filmes independentes, já que o resumo do acordo publicado pelo TheWrap cita um mínimo anual. O segundo é o catálogo, porque HBO Max e Paramount+, que operam no Brasil, passam a ter a mesma direção. Quem licencia obras para plataformas deve esperar menos concorrência entre compradores e possíveis renegociações de contrato durante a integração.

Se a Justiça aprovar o acordo, a fusão chega ao fim com regras, prazos e multas. Para quem produz fora dos grandes estúdios, o momento pede cuidado redobrado com cada contrato, principalmente com janela, território e prazo.

Atualização de 10 de outubro

A juíza federal Araceli Martínez-Olguín aprovou o acordo em 30 de setembro, e a Paramount concluiu a compra em 6 de outubro. As duas etapas estão nas matérias sobre a decisão da juíza e sobre o fechamento da compra.

Fontes consultadas

  • Paramount: Paramount to Acquire Warner Bros. Discovery to Form Next-Generation Global Media and Entertainment Company
  • CBS News: Paramount Skydance reaches antitrust deal with states over Warner Bros. Discovery purchase
  • Variety: Judge Questions Legal Points of Paramount's Settlement With States at Hearing
  • The Desk: Judge hits pause on settlement between states, Paramount over Warner Bros acquisition
  • TheWrap: David Ellison Says Paramount-WBD Merger Expected to Close in 2 Weeks
  • Variety: Paramount Says Timing for Warner Bros. Deal Close Is Not Yet Certain
  • Deadline: Paramount Merger Foes Ask Judge To Reject Antitrust Settlement

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.