O que o acordo com os estados exige
Segundo a CBS News, o acordo prevê investimento de 300 milhões de dólares por ano em produção nos Estados Unidos durante cinco anos, o que soma 1,5 bilhão. A empresa se compromete a lançar 30 filmes por ano em cinema nos dois primeiros anos e 32 por ano nos três seguintes. Desses, pelo menos 20 por ano precisam ser lançamentos amplos no início, e 21 depois. Cada filme que faltar custa 30 milhões de dólares, divididos entre fundos sindicais e instituições de caridade.
O acordo também proíbe, por cinco anos, a venda ou o fechamento dos estúdios da Paramount e da Warner na região de Los Angeles. As duas empresas vão manter negociações separadas para a distribuição dos seus canais a cabo, e um conselho independente vai acompanhar o jornalismo da CBS News e da CNN. O sindicato dos roteiristas, o WGA, fechou um acordo à parte. A coalizão Block the Merger, que se opõe à fusão, pediu à juíza que rejeite o texto.
O que já é fato e o que ainda é projeção
O negócio foi anunciado em 27 de fevereiro. A Paramount paga 31 dólares por ação em dinheiro, e a operação avalia a Warner em 110 bilhões de dólares, incluindo dívidas. Segundo a CBS News, as aprovações federais e internacionais já foram obtidas. A data de fechamento é projeção. David Ellison disse às equipes, em comunicado interno, que espera concluir a compra em cerca de duas semanas, e a própria Paramount informou depois que o momento da conclusão ainda não é certo, de acordo com a Variety.
O atraso tem custo. Segundo a Variety, a Paramount passa a pagar cerca de 7 milhões de dólares por dia à Warner a partir de 1º de outubro se a operação não estiver concluída. No mercado, a maior preocupação é com o emprego. No anúncio de fevereiro, a empresa estimou mais de 6 bilhões de dólares em sinergias, vindas de integração de tecnologia, eficiência corporativa, compras, imóveis e operação. A Variety também relatou que funcionários das duas empresas se preparam para demissões em massa depois do fechamento.
O que muda para quem produz fora dos estúdios
Para as produtoras independentes, inclusive as brasileiras, as metas do acordo têm dois lados. O piso de 30 a 32 lançamentos por ano em cinema, somado à janela mínima de 45 dias antes do lançamento digital prometida em fevereiro, mantém a empresa produzindo e comprando filmes para a sala. Por outro lado, a exigência de lançamentos amplos favorece filmes de grande porte, e o investimento obrigatório é em produção nos Estados Unidos.
Dois pontos merecem atenção nos próximos meses. O primeiro é o espaço para filmes independentes, já que o resumo do acordo publicado pelo TheWrap cita um mínimo anual. O segundo é o catálogo, porque HBO Max e Paramount+, que operam no Brasil, passam a ter a mesma direção. Quem licencia obras para plataformas deve esperar menos concorrência entre compradores e possíveis renegociações de contrato durante a integração.
Se a Justiça aprovar o acordo, a fusão chega ao fim com regras, prazos e multas. Para quem produz fora dos grandes estúdios, o momento pede cuidado redobrado com cada contrato, principalmente com janela, território e prazo.
Atualização de 10 de outubro
A juíza federal Araceli Martínez-Olguín aprovou o acordo em 30 de setembro, e a Paramount concluiu a compra em 6 de outubro. As duas etapas estão nas matérias sobre a decisão da juíza e sobre o fechamento da compra.
Fontes consultadas
- Paramount: Paramount to Acquire Warner Bros. Discovery to Form Next-Generation Global Media and Entertainment Company
- CBS News: Paramount Skydance reaches antitrust deal with states over Warner Bros. Discovery purchase
- Variety: Judge Questions Legal Points of Paramount's Settlement With States at Hearing
- The Desk: Judge hits pause on settlement between states, Paramount over Warner Bros acquisition
- TheWrap: David Ellison Says Paramount-WBD Merger Expected to Close in 2 Weeks
- Variety: Paramount Says Timing for Warner Bros. Deal Close Is Not Yet Certain
- Deadline: Paramount Merger Foes Ask Judge To Reject Antitrust Settlement
Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.