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Produção sai dos EUA: o que o estudo dos sindicatos mostra

Estudo da EY para sete entidades mostra a fatia dos EUA no gasto dos estúdios cair de 74% para 42% nos filmes. Veja os limites, o projeto de lei e o Brasil.

4 min de leitura Equipe de conteúdo

Fatia dos EUA no gasto dos estúdios, de 1999 a 2024
Fatia dos EUA no gasto dos estúdios, de 1999 a 2024 Créditos: Stock Adobe Diamond Phoenix

Em 5 de outubro de 2026, sete entidades americanas (DGA, IATSE, LIUNA, SAG-AFTRA, Teamsters, WGA East e WGA West) divulgaram um estudo da EY QUEST sobre onde os grandes estúdios produzem. Entre 1999 e 2024, a parcela do gasto em filmes rodados total ou parcialmente nos EUA caiu de 74% para 42%.

Na televisão, o gasto foi de 94% para 64%. O comunicado diz que o setor sustenta mais de dois milhões de empregos no país e usa o relatório para pedir um crédito fiscal federal. Quem encomendou o estudo tem posição na disputa.

O comunicado diz que o setor sustenta mais de dois milhões de empregos no país e usa o relatório para pedir um crédito fiscal federal.

Como o estudo foi feito e onde ele para

O recorte são obras de ficção em imagem real de estúdios americanos. A EY compara médias de três anos, 1999 a 2001 contra 2022 a 2024, e estimou por modelo estatístico cerca de 20% dos orçamentos de filmes e 80% dos de episódios.

Os próprios autores listam os limites. O estudo mede onde se filmou, não por quê. Obras cofinanciadas por estúdios americanos entram com o orçamento inteiro mesmo quando rodadas fora, o que pode exagerar a saída.

O dinheiro total cresceu: o orçamento dos filmes qualificados foi de cerca de US$ 3 bilhões para cerca de US$ 7 bilhões por ano. Entre os 25 maiores orçamentos de cada ano, a parcela com base nos EUA caiu de 74% para 34%.

O projeto de lei e a conta da MPA

O Motion Picture, Television, and Entertainment Revitalization Act foi apresentado em 24 de setembro por parlamentares dos dois partidos. Segundo o Fiscal Times, o crédito-base é de 20% sobre custos de mão de obra, pode chegar a 30%, exige gasto mínimo de US$ 1 milhão e ao menos 75% dos dias de fotografia principal nos EUA. Os defensores querem votar depois das eleições de novembro.

A Motion Picture Association encomendou à Olsberg SPI uma projeção: com o crédito, o gasto anual de produção nos EUA chegaria a US$ 38,7 bilhões em 2035, contra US$ 16,7 bilhões sem ele. O relatório admite que o modelo é estático e usa premissas ilustrativas. Adam Michel, do Cato Institute, usou os dados da MPA para estimar um custo de US$ 3,3 a 4,9 bilhões por ano e pede que o Congresso rejeite a medida.

A concorrência e a resposta da Califórnia

Segundo a Entertainment Partners, com dados da ProdPro, o gasto de alto orçamento nos EUA caiu 20% em 2025, para US$ 12,15 bilhões. O Reino Unido subiu 15%, para US$ 6,97 bilhões, e a Hungria passou de US$ 486 milhões para pouco mais de US$ 1 bilhão, com reembolso de 30%.

A Califórnia reagiu por conta própria: em julho de 2025, elevou o teto anual do crédito de US$ 330 milhões para US$ 750 milhões. Ainda assim, a FilmLA contou 12,7% menos dias de filmagem em locação em Los Angeles no segundo trimestre de 2026 que um ano antes. Nenhum estúdio comentou o estudo nas fontes consultadas; quem fala pelo setor é a MPA, cujo presidente, Charles Rivkin, diz que um incentivo federal mudaria o jogo.

O que isso abre para o produtor brasileiro

O estudo não detalha o Brasil, mas o país tem dois programas municipais de reembolso em dinheiro. Segundo a Brazil Production Services, a SPCine, de São Paulo, atende só obras internacionais, com gasto mínimo de R$ 10 milhões no estado, dois terços da equipe brasileira e reembolso de 20% a 30%. A RioFilme oferecia 30% ou 35%, em chamada que ia até 31 de outubro de 2024. A fonte é comercial e de julho de 2024: confirme as condições atuais com as agências.

No plano federal, o Tela Viva informa que a Medida Provisória 1.280, de dezembro de 2024, prorrogou até 2029 os incentivos da Lei do Audiovisual, do Recine e dos Funcines, voltados a obras brasileiras e à exibição. As fontes abertas não mostram reembolso federal para produção estrangeira.

Para a produtora brasileira, três perguntas: o projeto atinge o gasto mínimo exigido? O orçamento por rubrica, a equipe e as locações estão prontos para um serviço de produção? E o que acontece se o crédito americano passar? A regra dos 75% de dias de filmagem nos EUA puxaria produção de volta, mas nenhuma fonte quantifica o efeito sobre os países que hoje recebem essas obras.

Fontes consultadas

  • IATSE: DGA, IATSE, LIUNA, SAG-AFTRA, Teamsters, WGA East and WGA West Release Report on Shift in Location for Film and Television Production Over 25 Years
  • EY QUEST (via DGA): EY-Film-television-production-analysis.pdf
  • TheWrap: Hollywood Spends More Than Half of Its Film Budgets Outside the U.S., Union Study Shows
  • EURweb: Hollywood's U.S. Production Share Plunges as Billions in Spending Move Abroad
  • The Fiscal Times: Bipartisan Group of Lawmakers Proposes New Tax Incentives for Film and TV
  • Cato Institute: Federal Film Tax Credit Could Cost Up to $50 Billion
  • Olsberg SPI para a MPA: Economic Impact of a Proposed US Federal Production Incentive
  • TheWrap: Federal Film Tax Incentive Would Double Annual US Production Spending by 2035, MPA Study Says
  • Entertainment Partners: Hollywood offshoring: A look at who's winning the global production race
  • TheWrap: US Film Production Stabilizes in 2026, but Will it Last?
  • California Film Commission: Governor Newsom applauds federal film and TV tax credit bill, answering his call to keep production in America
  • Governo da Califórnia: Governor Newsom announces 35 new films coming to California as independent filmmaking surges and iconic franchises return
  • Brazil Production Services: Brazil Cash Rebates
  • The Hollywood Reporter: Rio de Janeiro Launches 35 Percent Film Tax Incentive
  • Story Productions: São Paulo launches cash rebate scheme worth up to $2.5 million for international productions filmed in the city
  • Tela Viva: Governo prorroga incentivos fiscais para o setor audiovisual até 2029

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.