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Microdramas: o negócio por trás das novelas verticais

Os apps de episódios curtos faturaram cerca de 750 milhões de dólares no 1º trimestre de 2026, e a Globo entrou no formato. O que é tendência e o que é hype.

3 min de leitura Equipe de conteúdo

Drama vertical assistido no celular
Drama vertical assistido no celular Créditos: Stock Adobe Diamond Phoenix

São episódios de um a três minutos, gravados na vertical, com um gancho no fim de cada capítulo. Os primeiros costumam ser gratuitos. Esse formato, chamado de microdrama ou novela vertical, virou um dos negócios que mais crescem no entretenimento para celular. Segundo a Sensor Tower, os aplicativos do gênero faturaram cerca de 750 milhões de dólares com compras dentro dos apps no primeiro trimestre de 2026, 20% a mais que um ano antes.

Para quem produz, vale entender como esse dinheiro circula, quem paga a conta e qual é o espaço do Brasil nesse mercado.

Esse formato, chamado de microdrama ou novela vertical, virou um dos negócios que mais crescem no entretenimento para celular.

Como o dinheiro circula

O modelo mais comum nos aplicativos é a cobrança por episódio, com moedas virtuais, combinada com assinatura e anúncios. Os primeiros capítulos são liberados e o restante fica pago. DramaBox e ReelShort, líderes globais, arrecadaram perto de 140 milhões de dólares cada um no primeiro trimestre de 2026, de acordo com a Sensor Tower.

Existem outros dois caminhos. Um é o conteúdo patrocinado por marcas, com o produto dentro da história. O outro é criar propriedade intelectual no celular para depois levá-la a outros formatos. A Fox fechou acordo com a Holywater, dona do aplicativo My Drama, para produzir mais de 200 títulos verticais e ficou com participação na empresa, segundo a Reuters.

Custo, prazo e escala

O custo de produção ajuda a explicar o interesse. Segundo levantamento publicado pela Fast Company Brasil, uma temporada de 50 a 75 episódios custa entre 100 mil e 300 mil dólares e fica pronta em cerca de três meses. Nos Estados Unidos, a consultoria Omdia projeta receita de 1,5 bilhão de dólares em 2026 e perto de 2 bilhões em 2027. Os usuários mensais no país passaram de 26 milhões em 2024 para 66 milhões em 2025.

O ganho vem do volume. As plataformas funcionam como catálogo, com muitos títulos produzidos rapidamente e roteiros pensados para prender o público nos primeiros segundos. A resposta da audiência é medida episódio a episódio. É um modelo mais parecido com a novela diária e com a publicidade de performance do que com o cinema.

A Globo entra no formato

No Brasil, a Globo estreou Tudo por uma Segunda Chance em 25 de novembro de 2025. Foram 50 episódios de dois a três minutos, publicados em blocos semanais no TikTok, no Instagram, no Facebook, no X e no YouTube, com patrocínio do Santander e ligação com a novela Dona de Mim. Em 12 de dezembro, o Globoplay lançou Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário, com os sete primeiros episódios gratuitos e o restante para assinantes.

A emissora anunciou dez microdramas para 2026 e entrou no formato depois do Kwai e do SBT. A América Latina já responde por 23% dos downloads globais desses aplicativos, segundo a Sensor Tower, e só fica atrás do Sudeste Asiático.

Tendência ou hype

Há sinais concretos de tendência, como a receita em alta, os downloads que mais que dobraram em um ano e o tempo médio de uso de 25 minutos por dia, de acordo com a Sensor Tower. O mesmo relatório mostra motivos para cautela. A receita desacelerou nos mercados maduros, e o crescimento dos downloads está concentrado no Sudeste Asiático, na América Latina e na Índia.

Para uma produtora independente, o microdrama é um produto diferente do longa e da série, com lógica própria de roteiro, elenco e distribuição. Ele pode abrir portas com marcas, servir de laboratório para roteiristas e dar visibilidade a atores com público nas redes. Quem entrar nesse mercado precisa saber que o retorno depende de volume e de recorrência.

Fontes consultadas

  • Sensor Tower: State of Short Drama Apps 2026
  • Fast Company Brasil: Microdramas viram aposta da Fox, mas nem todos são iguais
  • Meio & Mensagem: Globo aposta em novelas verticais para ampliar audiência
  • O Tempo: Globo anuncia produção de 10 microdramas verticais em 2026

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.