O Oscar exige autoria humana
As regras da 99ª edição foram divulgadas em 1º de maio de 2026. Só são elegíveis os papéis creditados no filme e comprovadamente interpretados por seres humanos, com consentimento. O roteiro também precisa ser de autoria humana. A Academia se reserva ainda o direito de pedir mais informações sobre o uso de IA e sobre a autoria humana da obra.
A regra não proíbe ferramentas em outras etapas, como efeitos visuais, som ou finalização. Quem usou IA em alguma etapa importante do filme deve estar pronto para explicar onde, como e com que controle humano.
Cannes e Berlim
Em Cannes, segundo a Reuters, o diretor-geral Thierry Frémaux afirmou que o festival não baniu a IA. Os filmes guiados principalmente por IA generativa, porém, não concorrem à Palma de Ouro. Na mesma edição, um documentário de Steven Soderbergh sobre John Lennon e Yoko Ono, feito com software de IA da Meta, entrou na seleção oficial fora de competição.
A Berlinale preferiu perguntar antes de criar regras. Para a edição de 2026, o festival incluiu pela primeira vez no formulário de inscrição uma pergunta sobre o uso de IA em qualquer etapa da realização. Segundo a diretora do festival, Tricia Tuttle, em entrevista à Screen, a pergunta tem objetivo de pesquisa e não influencia a seleção. O festival também decidiu não criar selo nem mostra específica para esses filmes.
Sundance e outros festivais
De acordo com a revista britânica Definition, o Sundance pergunta a quem inscreve documentário se a IA generativa faz parte da proposta artística e como o público será informado disso. No Reino Unido, os festivais de Leeds e de Cambridge pedem que o uso de IA seja declarado na inscrição. Cambridge avisa que pode desclassificar obras que violem direitos autorais ou usem trabalho de artistas sem consentimento.
Como se preparar
O mais seguro é registrar o uso de IA desde a produção. Uma planilha simples com etapa, ferramenta, finalidade e responsável pela decisão resolve a maioria dos formulários e ajuda se a Academia ou um festival pedir detalhes. Os contratos de elenco e de roteiro também devem dizer o que pode ser gerado e com qual autorização.
Em 2026, o movimento dos festivais é pedir transparência e autoria humana nas funções que definem a obra, como roteiro, atuação e direção, sem proibir a tecnologia de forma geral. Como as regras mudam de uma edição para outra, vale reler o regulamento antes de cada inscrição, inclusive nos festivais brasileiros.
Fontes consultadas
Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.