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IA nos festivais de cinema: o que os realizadores precisam declarar

O Oscar passou a exigir roteiro e atuação humanos, e Cannes tirou da disputa filmes feitos principalmente com IA generativa. Cada festival tem sua regra.

3 min de leitura Equipe de conteúdo

Guillermo del Toro com duas estatuetas do Oscar
Guillermo del Toro com duas estatuetas do Oscar Créditos: Stock Adobe Diamond Phoenix

Não existe uma regra única sobre inteligência artificial nos festivais de cinema, e o quadro mudou bastante em 2026. A Academia de Hollywood passou a exigir que o roteiro seja escrito por pessoas e que as atuações sejam feitas por pessoas, com consentimento. Cannes deixou fora da disputa pela Palma de Ouro os filmes feitos principalmente com IA generativa.

Para quem inscreve um filme, isso tem efeito prático. A pergunta sobre IA já aparece em formulários e regulamentos, e uma resposta vaga pode atrasar ou até comprometer a inscrição. A seguir estão as regras confirmadas em cada caso. A regra de um festival não vale automaticamente para os outros.

A pergunta sobre IA já aparece em formulários e regulamentos, e uma resposta vaga pode atrasar ou até comprometer a inscrição.

O Oscar exige autoria humana

As regras da 99ª edição foram divulgadas em 1º de maio de 2026. Só são elegíveis os papéis creditados no filme e comprovadamente interpretados por seres humanos, com consentimento. O roteiro também precisa ser de autoria humana. A Academia se reserva ainda o direito de pedir mais informações sobre o uso de IA e sobre a autoria humana da obra.

A regra não proíbe ferramentas em outras etapas, como efeitos visuais, som ou finalização. Quem usou IA em alguma etapa importante do filme deve estar pronto para explicar onde, como e com que controle humano.

Cannes e Berlim

Em Cannes, segundo a Reuters, o diretor-geral Thierry Frémaux afirmou que o festival não baniu a IA. Os filmes guiados principalmente por IA generativa, porém, não concorrem à Palma de Ouro. Na mesma edição, um documentário de Steven Soderbergh sobre John Lennon e Yoko Ono, feito com software de IA da Meta, entrou na seleção oficial fora de competição.

A Berlinale preferiu perguntar antes de criar regras. Para a edição de 2026, o festival incluiu pela primeira vez no formulário de inscrição uma pergunta sobre o uso de IA em qualquer etapa da realização. Segundo a diretora do festival, Tricia Tuttle, em entrevista à Screen, a pergunta tem objetivo de pesquisa e não influencia a seleção. O festival também decidiu não criar selo nem mostra específica para esses filmes.

Sundance e outros festivais

De acordo com a revista britânica Definition, o Sundance pergunta a quem inscreve documentário se a IA generativa faz parte da proposta artística e como o público será informado disso. No Reino Unido, os festivais de Leeds e de Cambridge pedem que o uso de IA seja declarado na inscrição. Cambridge avisa que pode desclassificar obras que violem direitos autorais ou usem trabalho de artistas sem consentimento.

Como se preparar

O mais seguro é registrar o uso de IA desde a produção. Uma planilha simples com etapa, ferramenta, finalidade e responsável pela decisão resolve a maioria dos formulários e ajuda se a Academia ou um festival pedir detalhes. Os contratos de elenco e de roteiro também devem dizer o que pode ser gerado e com qual autorização.

Em 2026, o movimento dos festivais é pedir transparência e autoria humana nas funções que definem a obra, como roteiro, atuação e direção, sem proibir a tecnologia de forma geral. Como as regras mudam de uma edição para outra, vale reler o regulamento antes de cada inscrição, inclusive nos festivais brasileiros.

Fontes consultadas

Texto da equipe de conteúdo da Diamond Phoenix.